Resenha | Por isso a gente acabou, de Daniel Handler



"Por isso a gente acabou" é aquele livro transparente que a gente sabe o que vai acontecer, mas não consegue parar de ler, porque torce pra que não seja "aquilo" no final. Eu lembro que o encontrei ao acaso lá no comecinho do ano, quando eu ainda não tinha um blog, mas já pensava sobre isso então comecei a fazer uma lista, porém, mesmo depois de meses quando penso nessa história eu sinto algo diferente.

"Por isso a gente acabou" é um young adult narrativo, com aqueles aspectos de ensino médio que a gente já conhece, aquela fase de garotos/espinhas/decepções amorosas/primeiras vezes, contando os dois lados de um relacionamento, o inicio e o fim. O autor criou uma história simples e leve, uma história que sem dúvida nenhuma parece que foi escrita sobre nós, pois todos nós já passamos por um término, porque todos nós já
nos enganamos, mas uma história que nos faz sorrir e suspirar e que também nos faz chorar junto com a personagem, porque não é algo absurdo ou distante, é algo real, é verdadeiro em todos os sentidos.
Estou contando por que a gente acabou, Ed. Estou escrevendo, nesta carta, toda a verdade sobre o que aconteceu. E a verdade é que, porra, eu te amei demais.
O contexto é basicamente uma garota que teve seu coração partido, mas não é um clichê, porque é cômico de uma forma trágica, os sentimentos são descritos como se fossem escritos por nós, sentidos por nós, porque a personagem é jovem como nós, e isso é o que atrai mais ainda e é por isso que foge dos padrões, o autor soube colocar tudo no papel de uma forma limpa ,para uma trama que já te puxa pelo nome, que te deixa com muita curiosidade e não te desaponta em nada.  
Estou largando essa caixa toda de volta na sua vida, Ed, cada pertence do meu eu com você. Vou largar essa caixa na sua varanda, Ed, mas é você, Ed, quem está sendo largado.
A história é narrada por Min, e ao longo dos capítulos conhecemos a história do seu relacionamento com Ed Slaterton, vemos como eles se apaixonam, vemos como seus mundos são diferentes, vemos e tentamos entender, porque com o passar das páginas é impossível não torcer pra que eles fiquem juntos, mas também com o passar das páginas entendemos porque não ficam. Ed, é cocapitão do time de basquete da escola, popular e conquistador, aquele onde o sinal de "errado" pisca várias vezes, já Min ama filmes antigos, tanto que quer ser diretora, o namoro deles é diferente por eles serem diferentes e eles sabem disso, porém mesmo com desaprovações eles ficam juntos, aprendem a conviver e conhecer um ao outro. 
Com o tempo, bem curto na verdade, algo dá errado no caminho e Min com o coração partido decide colocar numa caixa todas as coisas que a faz lembrar de Ed, todas as lembranças dos momentos com ele. Min escreve cartas contando a história de cada objeto, narrando motivos que os levaram a terminar o namoro, e eles não são escritos com palavras bonitas ou sentimentalismo exagerado, não, eles são escritos como realmente são, como ela realmente os sentiu. São essas cartas que nos contam a história do casal, que nos ajuda a entender e a ela mesma o porque do fim, tanto que no início ela diz: "tudo está claro agora" e mais ainda quando ela começa a descrever os momentos, porque ai ela vai percebendo ( ou já sabia) todos os sinais que estavam na sua frente de que iria magoar-se, e como ela escreve coisas que deveria ter feito diferente ao invés de aceitar, mas não fez devido o entregamento total que ela fez de si mesma. Quem nunca passou por isso? Aceitou coisas porque estava tão apaixonada que era banal?

Tudo bem, tudo bem, serei eu tão completamente errada por gostar de Ed Slaterton mesmo quando não deveria? Ele é aquele tipo que nos convence só com um olhar de cachorrinho perdido, aquele quando quer muito algo e não vai desistir até ter, pois é ele é assim e por um momento pensamos que vale a pena, porque as vezes ele sabe dizer coisas e as vezes ele é profundo, por um momento também nos apaixonamos, mas depois também somos enganadas e ficamos pensando, afinal quem realmente ele é?
Foi por isso que a gente acabou, Ed, por uma coisinha pequena que sumiu ou quem sabe nunca tenha estado de verdade nas minhas mãos.
Já Min, é diferente, ela é inteligente, cômica, jovem, igual com seus erros e seus sonhos, nos surpreende com seu amor ao cinema, nos atrai. Ela é forte para aprender errando e superar. Falando sobre outros personagens, Al seu melhor amigo, é formador de opinião, jovem e ao mesmo tempo com tamanha maturidade. Todos com fortes personalidades com uma juventude tão aflorada e tão diferentes, mas que se conectam de alguma forma, isso é o que cativa, essa contradição porque somos diferentes e todos podem se identificar com seu jovem do passado ou do presente, faz-nos lembrar nossos sonhos, nossas opiniões, nossos erros e medos e todas as coisas que podíamos ter feito diferente, mas tudo bem que não também, essa fase é erro e acertos.
 "A menina conhece o menino Ed, e aí tudo muda, pelo menos é isso que ela diz. O céu parece triste, ela diz, mas ela não está triste. O telefone toca - é mais um dia, ou o mesmo dia, quem pode dizer? A garota pensa com seu café, quando o mundo inteiro mudou? Ela toma mais um café, os carros passam, refletidos na janela. O mundo, ela pensa, mudou."
Eu gosto de dizer que YA (young adults) são livros que sempre nos ensinam algo, porque são adolescentes os personagens, e todo mundo passa por isso, mas quando estamos ali vivendo não prestamos tanta atenção, não pegamos tudo que uma situação pode nos ensinar então ler histórias sobre jovens nos faz ter outro ângulo, nos faz olhar com outros olhos porque somos espectadores e daí a gente para um pouco, então nos lembramos que tipo de ações tínhamos naquela época, que tipo de erro cometemos, será que foram muitos? Por isso, esses livros são pequenas lições de coisas que ainda podemos buscar e mudar. O autor me surpreendeu, a capa é perfeita, o título não poderia ser melhor, e os capítulos com cada ilustração merecem todas as estrelas porque tornaram o livro ainda mais real, deixa quem lê fascinado a cada momento. A história em si é diferente, é outro ângulo de uma história previsível de amor, outra perspectiva que não costumamos ler e ainda assim não deixa de ser surpreendente.
O negócio de ter o que o seu coração deseja é que o seu coração não sabe o que deseja até aparecer.

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